É possível ganhar dinheiro com software livre?
Fala-se muito em software livre no Brasil, mas ainda não se tem idéia do real tamanho deste mercado e de como ele pode (e deve) ser explorado. Foi justamente para descortinar esse nebuloso cenário que o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) decidiu encomendar à Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex) uma pesquisa sobre o potencial e os rumos que este mercado tem tomado aqui no país, e seus impactos nos diferentes setores socioeconômicos, principalmente nas empresas e no governo.
A pesquisa, batizada de “O impacto do software livre na indústria brasileira de software”, já está em andamento: teve início em maio, em Campinas, contando com cerca de 50 profissionais da área, entre desenvolvedores de softwares, representantes do governo e usuários de universidades e de empresas. Agora, enquetes eletrônicas e pesquisas de campo já estão sendo realizadas. A coordenação dos trabalhos em âmbito nacional é da Softex, que conta com o apoio do MCT e do Grupo de Estudos de Organização da Pesquisa e da Inovação (Geopi), do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp.
Estudo quer descobrir oportunidades na área de SL
O estudo terá duração de cinco meses e pretende abordar uma questão que ainda não tem resposta: é mesmo possível ganhar dinheiro com software livre?
— Os objetivos da pesquisa são, além de comprovar o tamanho e a competência da indústria nacional de software livre, desvendar quais seriam os modelos de negócios a serem praticados pelo poder público nesta área — diz Márcio Girão, presidente da Softex. — É possível ganhar dinheiro com software livre? É necessário entender, primeiro, quais são os modelos de negócios praticados pelas empresas que atuam na área e também entender o papel do poder público na contratação de serviços baseados em software e na compra dos programas.
Segundo Márcio Girão, o mito de que software livre é apenas ideologia precisa ser (e já está sendo) derrubado.
— Na hora em que o software livre deixa de ser um movimento voluntário para se tornar um modelo de negócios, as empresas precisam estar preparadas para avaliar estes novos modelos. O software livre não é só utopia, é um modelo de direito ao conhecimento dos países em desenvolvimento.
O projeto é dividido em três etapas: um painel de especialistas; uma enquete eletrônica de âmbito nacional voltada para desenvolvedores e usuários de programas de código fonte aberto e entrevistas com responsáveis pelos cases mais interessantes de uso do software livre no país. Outro objetivo da pesquisa — que está sendo feita em paralelo com um estudo sobre a viabilidade do software livre nas prefeituras, também realizado pelo Softex — é fazer um levantamento de onde estão as melhores oportunidades na área.
Os resultados da pesquisa, que, espera o Softex, formará um perfil dos principais mercados, áreas com potencial de aplicação, número de empregos gerados, perfil do desenvolvedor, etc, sairão em setembro, quando serão apresentados ao MCT e à comunidade.
Artigos Relacionados
Categorias
- Categories
Páginas
Links Interessantes
1 Comentário